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Vida de risco

Muitas são as opções de esportes radicais. Em comum, a overdose de adrenalina

por Giovana Franzolin

Colaborou Andressa Zanandrea

O coração dispara, a boca seca, o estômago embrulha, as pernas bambeiam. Seja durante os minutos apreensivos do primeiro beijo ou aquela vertigem chata de quando olhamos para baixo lá do alto do décimo andar de um prédio, esses sintomas não tardam a aparecer. Muito prazer, adrenalina!

O hormônio é o grande responsável por arrastar multidões à prática de esportes radicais. Pessoas dependuradas em penhascos, nas profundezas do oceano, sobre rodas em pedregulhos ou despencando no ar com um pedaço de lona. Cada vez mais os esportes que envolvem altos riscos são a opção de quem é avesso ao estresse da cidade grande, curte desafios ou está em busca de maior liberdade e contato com a natureza.

O gaúcho Gustavo Morais é um curioso em matéria de esportes radicais. Ele já praticou vários deles, mas uma lesão no joelho o afastou dos mais ousados. "Esses esportes proporcionam uma sensação maravilhosa de perigo e liberdade. É a melhor forma de esquecer os problemas. Além disso, me incentivam a encarar desafios", diz.

Gustavo Cruz, também de Porto Alegre, pratica rapel, trilha e street luge – uma evolução do skateboard, em que se desce uma ladeira em uma prancha especial – para esfriar a cabeça. "Além de aliviar a tensão da semana e descobrir lugares novos, cada momento pendurado em uma corda ou agarrado em uma fenda parece se tornar eterno", acrescenta.

Competição e profissionalização
Aos 48 anos, o esportista Marco Antônio Labão, de Bauru (SP) é um veterano no assunto. Ele compete em duas categorias de mountain biking: Cross Country e Trip Trail. "Meu esporte é surpreendente. Todos os dias em que saio para pedalar aprendo mais um pouco, seja com pessoas ou com a natureza", revela.

Alguns optam por se profissionalizar. Esse é o caso do carioca Ivo Lima Brasil Junior, piloto de nível intermediário pela associação de vôo livre do Rio de Janeiro há 13 anos e especialista em mergulho há quatro. Periodicamente, ele realiza mergulhos em grandes profundidades e acumula vários títulos. Além disso, pratica bungee-jump, paraquedismo e rafting – descida por corredeiras em botes.

Aventureiros online
A carioca Tahuana Cirati criou um grupo para interessados em esportes radicais e ecoturismo. Em menos de um ano, já existem cerca de 100 pessoas cadastradas, que se encontram regularmente para aventuras ou para tomar um chope.

Tudo começou quando Tahuana, que sempre foi atraída por adrenalina e desafios, resolveu mandar um e-mail para todos que conhecia, avisando sobre uma possível atividade. "Esperava conseguir pelo menos cinco respostas. Descobri que havia muito mais interessados! Me surpreendi muito com a resposta positiva que tive", conta.

Logo depois, em outubro do ano passado, surgiu a idéia do grupo – que ainda não tem nome definido. "Com tanta gente, seria complicado gerenciar tudo. No grupo, todos poderiam se conhecer melhor, trocar informações, dar sugestões, ajudar a organizar os passeios...", explica.

Ela conta que não deixou o lado social de lado. "Com o crescimento do grupo, percebi que tinha que criar algo que integrasse mais o pessoal. Resolvi então criar o Chopp Aventura, que é um happy hour no meio de semana. Minha intenção é realizar uma atividade de aventura e uma atividade social por mês", planeja.

Radical?
Mas será que somente doses altíssimas de adrenalina bastam para classificar um esporte como radical? Gustavo Morais tem a definição na ponta da língua. "Um esporte é radical quando há superação de limites. A sensação de estar se sentindo radical é o segredo de tudo", afirma.

E aí, ficou animado para embarcar numa dessas aventuras? Calma lá! Antes de se entregar a um desses desafios, é importante lembrar que alguns cuidados devem ser tomados. O instrutor de rapel e canyoning – descidas em canyons e cachoeiras –, Fábio Senna, de São Miguel Paulista (SP) alerta para a segurança. "Muitas pessoas se acham auto-suficientes e partem para a atividade sem um acompanhamento de um instrutor ou desconhecendo as regras de segurança, ocasionando acidentes que poderiam ser evitados".

Negócio lucrativo
A sexta edição da Adventure Sports Fair aconteceu entre os dias 7 e 11 de agosto, em São Paulo. A feira, que expõe roupas, calçados e equipamentos para praticantes de esportes de aventura, teve um público de cerca de 64 mil pessoas, além de atingir a marca de R$ 75 milhões em negócios. Os números, nada desprezíveis, comprovam que o filão é um prato cheio e pronto para ser devorado pelo mercado.

[30/08/2004]



Fabio Senna  -  Sao Paulo  -  01/09/2004 ~ 16:43
Giovana e Andressa, Parabéns! A matéria ficou show! E, pra quem quiser se aventurar num rappel em SP, acessem: www.limitevertical.com.br

Ivo Braisl  -  Rio de Janeiro  -  05/09/2004 ~ 18:49
Giovana, Andressa... Muito legal a matéria, parabéns. Se alguém quiser se conhecer um pouco sobre mergulho em naufrágios... www.naufragiosdobrasil.com.br Um Abraço, Ivo BJ

 
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